Em um ritual que já integra a tradição em Barbalha, devotos de Santo Antônio fizeram o corte do pau da bandeira
Após a retirada da árvore escolhida para mastro da bandeira de Santo Antônio, o tronco vai para a chamada cama do pau, onde perde peso e umidade.

Barbalha

O pau da bandeira da festa de Santo Antônio de Barbalha já está na “cama”, local onde o tronco é colocado para secar a fim de perder umidade e peso. O corte da árvore, uma “Rama Branca”, ocorreu ontem pela manhã, no Sítio São Joaquim, a cerca de 8 quilômetros do Centro da cidade, com a presença de populares e, também, ambientalistas.
“Esta primeira machadada representa a força dos devotos de Santo Antônio, que estão envolvidos no corte do pau da bandeira”. Com estas palavras, o “capitão do pau”, Rildo Teles, deu o primeiro corte na madeira. O trabalho teve continuidade com outros cortadores que, durante uma hora, se revezavam até o fim da operação. Uma mulher ainda tentou participar do corte, mas desistiu. O corte da madeira foi antecedido de um meticuloso estudo dos cortadores sob o comando do capitão do pau. Primeiro, eles examinam a inclinação da árvore para saber de que lado ela vai cair. Em seguida, um voluntário sobe e coloca uma corda de nylon na ponta da árvore. Na medida em que o corte se aprofunda, a corda é puxada para facilitar a queda do mastro.
Depois de mais de uma hora de machadadas, a árvore despenca sob os aplausos e vivas dos curiosos. Os cortadores se montam em cima da árvore abatida, como quem levanta um troféu de vitória. Em seguida, o pau é desgalhado e arrastado para a estrada, de onde é puxado por um trator para uma área descoberta, a chamada “cama” do pau. Ali, o tronco permanece até o dia da abertura da festa.
A casca do pau é retirada para ser transformada em souvenir. Há a crendice de que a mulher que toca no pau da bandeira, ou toma um chá da casca da madeira, casa em menos de um ano. Uma das defensoras dessa tradição é a solteirona Socorro Luna, que se deslocou de Barbalha para o Sítio São Joaquim.

Marketing

A superstição está relacionada com a história de Santo Antônio, que é considerado o santo casamenteiro, protetor dos namorados. A crendice se tornou um marketing para a festa de Santo Antônio de Barba lha que, de acordo com os coordenadores, reúne cerca de 50 mil pessoas no dia do carregamento do mastro para ser erguido na Igreja Matriz com a bandeira de Santo Antônio.
O poeta José Joel que, pela primeira vez, assistiu de perto o corte do pau, improvisou os seguintes versos: “Quando chega o meio do ano/já fico esperando o mês/ de ver o pau da bandeira do qual eu já sou freguês/ qui eu já vi ele cortado/ cortando é a primeira vez”.

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